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Depoimentos em Comer Compulsivo (TCAP ou BED - Binge Eating Disorder) e Bulimia

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Tenho 23 anos, na verdade não tenho, efetivamente, nenhuma dessas doenças, porém tenho tido ataques de compulsão, pelo menos uma vez por semana... eu era gordinha, tinha um bundão! Emagreci desde fevereiro 13 Kg, fazendo ginástica e dieta. Venho me sentindo super bem por isso, e tenho buscado aprender a ter uma relação normal com a comida, coisa que eu nunca tive, sempre fui super gulosa. E hoje me vejo com um serio problema, esse da compulsão. Tenho medo de engordar, claro! Mas como li em alguns daqueles depoimentos, parece que uma parte de mim quer voltar a ser gorda! Tem dias em que eu começo a comer e não paro! Depois fico me sentindo super mal, mas na hora quero mais e comer e se sentir prazer! Nunca cheguei a vomitar mas já pensei em fazer isso. O que eu queria na verdade era aprender a ser normal, a comer normal, a ter uma relação "básica" com a comida, como as pessoas magras, comem o suficiente, e naturalmente tem uma alimentação controlada... e isso que eu quero atingir! Eu estou no caminho, faço terapia, vou na Nutricionista também, mas essas crises de compulsão que venho tendo tem me preocupado, pois tenho percebido que e uma doença e que tenho que tratá-la. Eu estou muito feliz como meu físico e não quero perder o que conquistei, e nem ficar neurótica, o que quero e ser normal!

Oi meninas.... pois é meninas, nós mulheres, já viram que esta é uma doença nossa? Sim, conheço pouquíssimos homens que tem bulimia ou anorexia, os que eu conheço são homossexuais, vaidosos como nós, que se cobram como nós ao olhar aqueles seres esqueléticos nas revistas e nos entulham com toda a espécie de culpa ao ato de comer, de tanto falar em grelhadinho, sopinha, verdinho, matinho a gente enjoa só de pensar mas não consegue parar de pensar em comida um só minuto. Desculpe a franqueza, mas isto é uma bosta.... Podem rir, mas já tomei até detergente no intuito de "dissolver" as gorduras. Sim, o que dissolveu foi meu cérebro, além de não fazer efeito ( lógico, quase morri) me deu um revertério que eu não posso sentir o cheiro de detergente até hoje.  Comecei com esta história de emagrecer por volta dos 11 anos, quando comecei a ler as revistas capricho, aquelas meninas todas magrinhas, tinham namorados, faziam, aconteciam...... HOJE EU SEI QUE É PURA CONVERSA FIADA, elas são tão inseguras e despreparadas quanto nós, sofrendo as mesmas pressões ou até mais. Não importa, o fato é que eu queria ser assim, magrinha, bonita, desejável. Eu me achava o patinho feio, era a mais inteligente, a primeira aluna da sala, a filha exemplar, mas nenhum menino olhava pra mim, eu era gordinha, com os seios grandes e minhas "amigas" faziam piada disso a todo o instante, prá magoar mesmo, na maldade. E eu me escondia com camisetões, enfiava o nariz nos livros e na música, e comecei a desenvolver uma obsessão por emagrecer. Foi aí que comecei a tomar anfetaminas, tomei todos os tipos de boletas possíveis e imagináveis, era a verdadeira rainha do forró, aliás eu era uma sanfona, engorda, emagrece, engorda, emagrece. Hoje não coloco a culpa nos meus pais, afinal eles sempre querem o melhor para nós, dentro do ponto de vista deles. Mas eu me sentia muito presa e sufocada em casa, sempre quis estudar fora para me livrar um pouco desta superproteção, queria deixar de ser aquela menininha indefesa. Fui estudar e morar em outra cidade aos 14 anos, e continuei tomando boleta como se fossem balinhas, mas por mais que eu emagrecesse eu tinha o agravante dos seios, que eram realmente muito grandes, então eu era o mesmo sapinho de sempre, magra em baixo e gorda em cima. Aos 17 anos fiz finalmente a cirurgia plástica e retirei 1.1kg de cada seio!!E ainda uso 44, mas a cirurgia me deu um ânimo muito grande, foi como se eu finalmente tivesse descoberto a alegria de viver. Passei no vestibular de Artes Cênicas ( era o curso que eu queria) em xx, e fiquei quatro anos morando sozinha. Mas nunca me livrei das anfetaminas, só que como eu estava mais centrada, feliz com outras coisas que estavam acontecendo eu comecei a emagrecer tanto que de 62 kg ( até então era o máximo que eu tinha conseguido engordar, tenho 1,65m) eu estava com 48kg, arrumei meu primeiro namorado ( com 18 anos), e fui tocando minha vida assim até terminar a faculdade em 94, dei aulas de teatro e música, estudava línguas, tinha meus namorados, morava sozinha num apartamento no centro da cidade, e não tinha ninguém para dizer o que eu tinha que fazer( mas meu pai me sustentava). ( detalhe, por mais festa que eu fizesse, eu sempre tive consciência da minha solidão e que era eu por mim mesma, às vezes que eu queria colo, eu tinha que engolir o choro e erguer a cabeça, pois foi a escolha que eu havia feito e ela teve seu preço.) Ninguém percebia a minha dependência química e o fato de eu simplesmente me recusar a comer enquanto tomava remédios e comer tresloucadamente quando me via sem eles, vivia de consultório em consultório buscando fórmulas mais potentes, e meu peso oscilava sempre entre os 58kg e 48kg. Com um detalhe, se eu não estivesse com 48Kg, eu me recusava a ver as pessoas, não queria ir pra aula me fechava em casa e comia até conseguir comprar remédios de novo. Para mim era tudo muito natural, eu tinha meus ataques de caramujismos, depois a euforia da magreza, queria me exibir, sair, paquerar, daí acabava o remédio e eu me fechava de novo ( minha obsessão calórica é por fritura e salgadinhos, raramente como doces). Só que o corpo não

 agüenta e num desses meus ataques de autoencarceramento, eu quis morrer e entrei numa depressão crônica. Eu tinha só 21 anos quando tive que voltar para a minha cidadezinha e resgatar os cacos do bicho que eu virei, porque eu parei com as boletas por ordem médica, pensava todo o tempo em morrer, com um agravante, ter voltado pra casa foi antes de tudo a minha grande derrota. Eu odiava meus pais e achava que eles estavam loucos e eu nunca havia tido problema nenhum, era tudo fantasia da cabeça deles, porque antes eu estava bem, antes eu era magra, antes...era...era..era...( parecia um disco furado) Aí eu comecei a fazer tratamento psiquiátrico tomando antidepressivos, melhorei um pouco e comecei a não comer mais por conta própria, estava então com 65kg e perdi 9kg em menos de um mês, daí veio a vontade louca de comer tudo o que viesse pela frente então comecei a vomitar tudo o que eu comia, mesmo assim, continuei engordando. Passei novamente no vestibular dessa vez em Psicologia em xx, mas não era o que eu queria, meu objetivo era voltar para Curitiba e continuar a "vida" que eu supostamente havia deixado pra trás, conclusão engordei 30kg( com relação ao meu mínimo), cheguei aos 78kg parecia uma bola, feia, triste, extremamente sozinha, e ninguém entendia o que se passava comigo, nem eu mesma. Só Deus sabe o que eu e minha família sofremos, meus pais me vendo morrer e não podiam fazer nada. Alguém já leu Metamorfose do Kafka? É uma metáfora sobre um rapaz que vira uma barata gigante. MAs é bem por aí costumo dizer que nós que chegamos a passar pelo que passamos, sofremos um processo de insetização, ou seja nos julgamos tão feias, tão menores, tão pequenas, incapazes de qualquer coisa útil que nos tornamos a tal "barata", não é literal mas é assim que funciona psicologicamente é assim que nos sentimos. Eu já não aceitava mais nenhuma espécie de ajuda. E para mim o mundo queria acabar comigo. Eu era o ser mais desprezível da face da terra. Tentei me matar inúmeras vezes, sem sucesso ( Graças a Deus! Ele estava bem ali, hoje eu não tenho dúvida). E depois do natal de 96 peguei duas malinhas de mão, juntei minhas economias e voltei para xx, sozinha, sem ter para onde ir, sem trabalho, sem nada. MAs me agarrei na única coisa que me fazia sentir viva, a esperança de voltar a ser a espoleta da Faculdade de xx, a alegria da turma, ou seja voltar a ser feliz. Por mais que aquela felicidade tenha sido camuflada pelas anfetaminas. Para mim era a única relação positiva que eu tinha com o mundo. Foi nisso que eu me apeguei, voltei sem lenço e sem documento, mas depois de mais de dois anos foi a primeira vez que eu senti que aquela era a minha vida, e que agora era comigo, e era a minha grande chance de dar a volta por cima. Fiquei um mês morando com uma amiga até conseguir um lugar que eu pudesse pagar, achei um quartinho bolorento que era um antigo seminário, na verdade era uma celinha, a ala dos Homens separada das mulheres, não podia cozinhar, nem receber visitas, nem freqüentar outros quartos a partir das 10h da noite. Deprimente? De modo algum, comecei a ler todos os livros que encontrei sobre auto-ajuda ( VOCÊ PODE CURAR A SUA VIDA DA LOUISE HAY- este eu indico, este livro me ajudou demais), fora isto livro de mulheres vencedoras que deram a volta por cima sem depender de ninguém, li Complexo de Cinderela ( Collete Dawling), O Segundo Sexo - Vol. I e II, A Síndrome da Boa Menina ( Simone de Beauvoir) , Meninas boas vão pro céu. As más vão á luta ( não lembro a autora) e assim foi, eu comia livros, sobre Yoga, macrobiótica, tai-chi, queria muito me reerguer, e comecei a sentir que estava dando certo. Tinha dias que eu não tinha dinheiro para comprar comida. Eu achava ótimo. Porque lembrava da minha compulsão e pensava em dias em que eu poderia voltar a comprar mas não o faria tão desmedidamente. Levei 3 anos para me estabilizar economicamente. Hoje eu atenho uma vida razoável, consegui um ótimo trabalho, depois de fazer até panfletagem e ser cambista em porta de estádio de futebol (juro!) . Reconquistei meu namorado antigo, mas já estou com outro. Não fiz mais dietas, aliás nem pensei mais nisso. Hoje eu penso em ser saudável, comer por prazer na hora em que meu corpo precisa. Comecei pela geladeira. Na minha casa ( Hoje eu tenho meu próprio apartamento) não entram coisas engordativas, eu levo o meu almoço pro trabalho, só meus pratinhos light deliciosos. Só aprendo receitas diet. Tenho a minha bicicletinha ergométrica que me ajuda muito a manter a forma com saúde.Hoje é minha filosofia de vida. Muita coisa natural, grãos, pães integrais, frutas é o que me faz sentir bem. E o que é mais importante, reconquistei o carinho e o apoio da minha família.  Além do respeito pelo que eu sou, pela minha escolha e pela minha luta. Não é fácil. Mas é possível. É a vida, é bonita e é bonita. Já dizia Gonzaguinha E sabe de uma coisa, não estou tão magra como já fui, mas perdi 18 kg, naturalmente sem compulsão, hoje peso 60kg, sou fofinha é o peso em que eu me estabilizei sem sofrer. Mas o importante é que desde que eu voltei, para mim o mais importante era ser feliz, e eu vi que a magreza ou gordura não tinha nada a ver com isso. Esse meu ex-namorado a quem eu me refiro sempre me conheceu aos 19 anos com 48 kg, aos 22 com 78kg e hoje, só que ele amou a minha natureza, independente de eu estar gorda ou magra. E me deu uma grande lição de vida que talvez ele não tenha noção do quanto ele foi importante e do carinho que eu sinto por ele. Apesar de eu estar em outra. É a vida....
Espero que eu possa ajudar em alguma coisa. Porque, gente! Não é bolinho. Ou melhor é o bolinho, a culpa é do bolinho... da batata frita... etc.( risos)  Beijos e boa sorte! Mariângela 

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