|
|
Devaneio,
uma condição neurológica inata. Muitas pessoas, adultos e crianças, convivem
o dia a dia com criticas e reclamações, ou, de forma mais branda, brincadeiras de amigos e
parentes, "gozações". Essas pessoas sofrem
durante anos com a impressão de que são errados, diferentes, que estão à
margem do grupo, alguns chegam a pensar que são "loucos" embora não
consigam encontrar respostas que explique a confusão mental, a ansiedade ou, afinal,
de que mal estão sofrendo e vários profissionais que os atenderam,
infelizmente, ainda não estão familiarizados com a síndrome. Aos poucos vão
percebendo que não conseguem aprender certas coisas na escola, que se entediam
em ambientes de estudo e concentração, e, principalmente, tem uma facilidade
para o devaneio, para pensamentos distantes do momento em que se encontram e
precisam de esforço maior para prestar atenção naquilo que se propõem a
fazer e que, realmente, tem alguma coisa "diferente" dos outros.
Não
conseguem traçar e seguir um rumo para suas vidas, mudam de planos
freqüentemente, mudam
de empregos, facilmente se aborrecem com o que parecia ser uma grande idéia, tem um sentimento crônico de que são de "Segunda Categoria" e se
sentem mais a vontade em ambientes que pouco solicitam comportamentos sociais
mais sofisticados. Não conseguem ficar parados em uma sala de aula ou outro
ambiente que limite sua inquietude, não conseguem discutir assuntos com
tranqüilidade, são esquentados e de "pavio curto", dizem palavrões
impulsivamente, não
tem respostas adequadas para situações de surpresa. Para quem os rodeiam, são
tidos como "diferentes" e "indisciplinados", de que
"reclamam de que nenhum trabalho serve", e que provavelmente "não
tem autodisciplina", "não se esforçam suficientemente", "não
tem ambições na vida". Mas o que parece ser desleixo trata-se de uma
condição neurológica clinicamente comprovada, o
DISTÚRBIO
DE DÉFICIT DE ATENÇÃO, ou DDA (ou TDAH), COM OU SEM HIPERATIVIDADE.
Clinicamente
comprovada e descrita no Código Internacional de Distúrbios do Comportamento.
Os
sinais de disfunção e inconstância de atenção, de impulsividade e devanear
crônico NÃO desaparecem por encanto, continuam com a pessoa, infiltrados nos
processos de raciocínio e cognição, travando e dificultando as crescentes
complicações do dia a dia dos adultos.
Há
algum tempo atrás, ao recomendar a uma mãe de uma destas crianças, cujo filho,
já um adulto, que lesse material sobre DDA (ou TDAH) em adultos, ela me respondeu
surpresa e preocupada: "isto ainda não terminou?"
Não,
não terminou, não vai desaparecer por mágica e vai continuar por toda a vida,
se não for tratada. Esta página é dedicada ao reconhecimento da EXISTÊNCIA
desta síndrome em adolescentes e adultos, em linguagem simples, uma linguagem
mista de científica com literária, para que os não profissionais tenham
acesso a este conhecimento.
CRITÉRIOS
DIAGNÓSTICOS PARA DISTÚRBIO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO EM ADULTOS
O
critério é atendido somente se o comportamento descrito aqui é muito mais
freqüente do que o apresentado pela maioria das pessoas da mesma idade mental.
A.
Uma perturbação crônica em que pelo menos quinze entre as seguintes características
estejam presentes:
1.
Uma sensação de baixo rendimento, de não atingir as próprias metas, independente de quanto a pessoa realiza. Começamos com este sintoma porque é o
motivo mais freqüente que leva o adulto a procurar ajuda. "simplesmente não
consigo me realizar" é a queixa mais comum. A pessoa pode ate ser
considerada um sucesso por padrões objetivos, ou estar se debatendo, como que
perdido em um labirinto, incapaz de fazer uso de seu potencial.
2.Dificuldade
em organizar se . um dos maiores problemas para a maior parte de adultos com DDA (ou TDAH). Sem a estrutura da escola, ou os pais por perto para manter as coisas
organizadas para ele, o adulto pode titubear perante as demandas da vida
cotidiana. As supostas pequenas coisas podem amontoar-se, criando enormes obstáculos.
por um mero detalhe - um compromisso não cumprido um cheque perdido, um prazo
esquecido -, pode-se perder o reino.A situação fica muito difícil para
profissionais autônomos ou que trabalhem sem uma estrutura organizacional, são
vitimados pelo caos.
3.
Adiamento crônico do inicio de tarefas. A realização de tarefas por adultos
com DDA (ou TDAH) é associada a tanta ansiedade - em razão do receio de não as fazer
direito - que eles as empurram para mais tarde, e mais tarde, o que, obviamente,
só faz aumentar a ansiedade ligada a tarefa. Muitos projetos tocados
simultaneamente; dificuldade em levá-los adiante, terminando em tédio e
abandono das tarefas.
4.
Conforme uma tarefa é deixada de lado, outra é assumida. .Um corolário do número.
3. Ao fim do dia, da semana ou do ano, incomensuráveis projetos são
empreendidos, mas poucos são concluídos.
5.
Tendência a dizer o que vem à mente, sem considerar o momento e a conveniência
do comentário. Assim Paulo dizia para uma colega nova de trabalho como não
gostava de psicólogos para ouvir em seguida:"eu estudo psicologia".
Como a criança com DDA (ou TDAH) em sala de aula, o adulto com DDA (ou TDAH) se deixa levar pelo
entusiasmo-a diplomacia e a malícia se rendem a lampejos infantis.
6.
Busca freqüente por forte estimulação. O adulto com DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade)
está sempre à
procura de algo novo, envolvente, algo do mundo extremo que possa vibrar como o
turbilhão em seu (intimo).
7.
Intolerância ao tédio. Corolário do número 6. Na verdade, a pessoa com DDA (ou TDAH)
raramente se sente entediada, pois, no mesmo segundo em que detecta o tédio, parte para a ação e encontra algo novo; e então muda de cena.
8.
Facilidade para distrair-se, Problema de concentração, tendência a se
desligar ou ficar A deriva no meio de uma pagina ou diálogo, as vezes
acompanhados de uma capacidade de hiper concentração. A marca registrada do DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade). O "desligamento' é um momento involuntário, acontecendo quando a
pessoa não está olhando, por assim dizer, e a próxima coisa que se percebe é
que ela não está ali. A capacidade, muitas vezes, extraordinária de
hiperconcentração também costuma estar presente, enfatizando o fato de que em
verdade essa é uma síndrome não de déficit de atenção, mas de inconstância
na atenção.
9.
Freqüentemente criativo, intuitivo e muito inteligente. Não é um sintoma, mas
uma característica que merece ser mencionada. Os adultos com DDA (ou TDAH) em geral têm
mentes mais criativas do que a média. Em meio à sua desorganização e
devaneio, demonstram lampejos de talento. Capturar esse "algo
especial" é um dos objetivos do tratamento.
10.
Dificuldade em seguir caminhos preestabelecidos, em proceder de forma
"apropriada". Contrariamente ao que se possa pensar, isso não se deve
a algum problema não resolvido com figuras de autoridade; trata-se, antes, de
uma manifestação de tédio e frustração: tédio por estar fazendo coisas
seguindo uma rotina e excitação por novas abordagens, e frustração por não
ser capaz de fazer as coisas da forma como "deveriam" serem feitas.
11
. Impaciência. Baixa tolerância à frustração. Qualquer tipo de frustração
remete o adulto com DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade) a todos os seus fracassos do passado. "Ah, não!",
diz ele. "Aqui vamos nós de novo." Por isso, fala engolindo palavras,
não consegue expressar suas idéias claramente, sente raiva ou se recolhe. A
impaciência deriva da necessidade de estímulo constante, podendo fazer com que
os outros o considerem imaturo ou insaciável.
12.
Impulsivo,
Verbalmente
ou nas ações - como gastar dinheiro impulsivamente, mudar de planos, fazer
modificações em projetos profissionais, mudar de empregos, cansar da
namorada/o, primeiro fazer, depois pensar e coisas desse tipo. Chamamos de
impulsividade o hábito do individuo ceder aos seus impulsos facilmente. Por
exemplo, comprar por impulso, sem importar se a compra é necessária ou não.
A rapidez da ação impulsiva também contribui para que o impulso seja
realizado antes de que possa ser pensado. Exemplos de comportamento impulsivo e
rápido. ? Desistir de um trabalho, uma viajem,
?
Fazer conclusões precipitadas, efetuar maus negócios. ? Rapidamente ficar
cansado de alguma atividade, de uma dieta, do coral, das aulas de piano, da
ginástica, etc. ? Improvisação, (falta de planejamento e de organização) um aluno vai
para uma prova achando que na hora ele da um jeito, etc. Este é um dos sintomas
mais perigosos em adultos, ou, dependendo do impulso, um dos mais úteis.
As
conseqüências de não conseguir sustentar o pensamento em um mesmo foco trazem
ao indivíduo uma série de resultados negativos. A impulsividade afeta a
maneira pela qual as pessoas pensam, de que forma processam informações, o
modo de falar, e desta forma, o tipo de soluções que precisariam para
corretamente resolver seus problemas.: Pensamento simplista o tipo de pensamento
que é produzido em pessoas impulsivas é caracteristicamente simplista, não
elaborado, abreviado e desconectado de outros pensamentos ou ideias. Já que a
mente funciona em impulsos, em pensamentos que surgem subitamente, em certos
momentos o individuo está em "tempestade de idéias" o que contrasta
visivelmente dos momentos em que se sente como se tivesse "um branco"
no cérebro. Desorganização intrapsíquica. Quando a mente está sob a influência
da impulsividade os pensamentos são processados de maneira desconectada de
outras partes do cérebro. O indivíduo impulsivo não tem capacidade de meditar
em um problema, não tem auto percepção, e aquelas linhas que comunicam e
integram as deferentes partes de sua mente e, como resultado disto, quando ele
processa um novo pensamento, isto será feito sem levar em conta as outras
partes da mente que deveriam contribuir para o processo de tomada de decisões
ou na finalização que deveria ocorrer como resultado final do processamento de
todas as informações que foram levadas em conta, e tomam a primeira decisão
que aparece. Quando estas pessoas tem as suas mentes desorganizadas, elas são
incapazes de planejar o futuro, não conseguem se dedicar a um assunto de forma
regular e proveitosa, é incapaz de seguir instruções passo a passo e resistirá
à disciplina, e isto são apenas uns poucos exemplos.
13.
Tendência a uma preocupação desnecessária e sem fim. Propensão a sondar o
horizonte em busca de algo com que se preocupar, ao mesmo tempo que mostra
inatenção ou descaso por perigos palpáveis. A preocupação passa a ser
aquilo em que a atenção se transforma quando não está concentrada em uma
tarefa.
14.
Sensação de insegurança. Muitos adultos com DDA (ou TDAH) sentem uma insegurança
crônica, não importando a estabilidade de sua vida. É comum que se sintam como se o
mundo fosse desmoronar.
15.
Humor oscilante, lábil, sobretudo quando desvinculado de uma pessoa ou projeto.
A pessoa com DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade) pode ficar de repente de mau humor, depois de bom humor, e
novamente mal humorada - tudo isso num espaço de poucas horas, e sem motivo
aparente. Essas variações não são tão acentuadas como as que se associam a
depressão ou a distúrbio ou transtorno maníaco-depressivo. Mais do que as
crianças, os adultos com DDA (ou TDAH) mostram instabilidade de humor. Isso se deve
principalmente às suas experiências de frustração e/ou fracasso. mas em
parte também à biologia do distúrbio
I6.
Inquietude. Em geral, não se encontra no adulto a hiperatividade marcante que
encontramos na criança. Em vez disso, o que se observa é algo que parece
"energia nervosa": andar de um lado para o outro, tamborilar com os
dedos, mudar de posição quando está sentado, sair a toda hora de uma mesa ou
quarto, sentir-se tenso quando em descanso.
17.
Tendência a comportamento aditivo ou viciado. O vício pode ser de uma droga, como álcool. maconha
cocaína, ou uma atividade, com jogar, fazer compras, tomar
comprimidos "domésticos" como aspirinas, remédios para gripe,
vitaminas, comer ou trabalhar demais.Estas dependências são o resultado de
serem pessoas ligadas ao princípio do prazer, tem a tendência de seguirem os
impulsos corporais e tem muita dificuldade de parar com as concessões que fazem
a uma série de atos prazerosos. Por exemplo; são incapazes de parar de beber e
fumar, comer demais, jogar, assistir tv, fazer festas, usar drogas ilicitas, tomar excesso de comprimidos
(aspirina, paracetamol e outros), dormir demais, excessiva atividade sexual,
etc., simplesmente "porque são coisas
gostosas" . Juntamente com personalidade dependente, dicotomização,
generalização, obsessões e ansiedade, o indivíduo pode criar um estado de
dependência patológica.
18.
Problemas crônicos de auto-estima.
19.
Auto observação imprecisa.
Pessoas
com DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade) são auto-observadoras precários. Não fazem uma avaliação aguçada
do impacto que exercem sobre os outros. Em geral, consideram-se menos eficientes
ou poderosas do que os outros acham, não tem a menor idéia do dano emocional
que podem provocar com seus palavrões, desatenção e o não cumprimento de
tarefas prometidas.
20.
Histórico familiar de DDA (ou TDAH), DAB, Depressão, abuso de substâncias, ou outros
distúrbios de controle dos impulsos ou do humor.
O DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade)
parece ser geneticamente transmitido e relacionado às outras condições
mencionadas; assim, não é incomum (o que não significa que seja necessário)
documentar a história familiar dos mencionados distúrbios. Estes problemas são
o resultado direto e lamentável de anos de frustração, rejeição na
comunidade, fracasso ou malogro das iniciativas. Mesmo a pessoa com DDA (ou TDAH)
que já
conquistou o seu espaço se sente anormal. O que impressiona é a capacidade de
recuperação da maioria desses adultos, a despeito dos muitos obstáculos.
|